Gente que Faz · Pirangi (SP)
Ana Carolina Columbeli planta café premiado onde diziam que café não dava
No Sítio Ouro Branco, em Pirangi, cidade de 10,8 mil habitantes, ela toca 105 mil pés de café e um aviário de 108 mil aves que se adubam um ao outro. O resultado é o prêmio estadual do Sebrae de melhor produtora rural de São Paulo e uma vaga na final nacional de 17 de novembro.

Pirangi tem 10.885 habitantes no Censo do IBGE e fica numa região que os manuais de agronomia consideram desfavorável ao café. Ana Carolina Columbeli, a Carol, leu os manuais e plantou assim mesmo: são 105 mil pés de café no Sítio Ouro Branco, que acabam de lhe render o título de melhor produtora rural do estado de São Paulo na etapa estadual do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026.
O segredo da lavoura, lavrado em registro que esta colunista aprecia, é um motor de duas peças que a propriedade inventou para si: ao lado do café, um aviário com 108 mil aves em três galpões. A cama do aviário vira adubo do cafezal; a palha do café volta para os galpões como cama das aves. Um alimenta o outro, em círculo, e a conta de insumo agradece nas duas pontas.
“As empresas precisam pensar no futuro, no meio ambiente e nas pessoas. O que pudermos reaproveitar e economizar trará produtividade, equilíbrio e sustentabilidade”
Ana Carolina Columbeli, em depoimento à Agrosure, parceira da Coopercitrus
A tecnologia completa o serviço, e não é a de vitrine: drone no Ouro Branco não tira foto bonita, solta predador natural sobre a lavoura para combater o bicho-mineiro, a praga clássica do café, no lugar do defensivo químico. O trator anda com GPS para acertar o espaçamento. É a agricultura de precisão posta a trabalhar do jeito que o interior respeita: para economizar e para durar.
O prêmio chegou numa hora cheia para a casa: Carol teve recentemente o primeiro filho, e subiu ao palco do Sebrae-SP com a serenidade de quem fez a lição. “Eu fiquei muito honrada em receber esse prêmio. Mostra que a gente está no caminho certo”, disse à Agência Sebrae, agradecendo o acompanhamento do programa ALI Rural, que leva agente de inovação à porteira, no caso dela a agente Bruna Genari.
O próximo registro em ata é a final nacional, em 17 de novembro, em Vitória, onde as vencedoras estaduais do país disputam prêmios de até R$ 50 mil, capacitações e mentorias. Esta velha cronista das coisas lavradas anota o essencial: numa cidade de dez mil habitantes, uma mulher pegou a terra que diziam não servir para café e tirou dela um café premiado, usando o esterco de um negócio para adubar o outro. Manchete, ela nunca tinha tido. Agora tem.

