Agro · Brasil
Conab projeta a segunda maior safra de cana da história e recorde de etanol; o interior mói quase tudo
Levantamento de agosto estima 705,2 milhões de toneladas na temporada 2026/27, alta de 4,7%, com etanol de cana somando 29,26 bilhões de litros. A conta encosta na matéria da vizinhança: é essa onda que o polo de Sertãozinho equipa.

A Companhia Nacional de Abastecimento atualizou em agosto a estimativa da safra de cana-de-açúcar 2026/27: 705,2 milhões de toneladas, crescimento de 4,7% sobre o ciclo anterior e segunda maior marca da série histórica, atrás apenas do recorde absoluto. O primeiro levantamento, de abril, chegou a apontar 709,1 milhões; o campo, como sempre, deu a palavra final preliminar.
No etanol, a projeção é de recorde: 29,26 bilhões de litros vindos da cana, alta de 7,1%, dentro de um total de quase 30 bilhões quando se soma o etanol de milho, que cresce em ritmo de dois dígitos. O hidratado, que abastece o carro flex do leitor, deve somar 18,29 bilhões de litros; o anidro, que corta a gasolina, 10,97 bilhões.
Repare como as contas deste jornal se encontram: a onda do etanol de milho que a reportagem da casa mostrou sendo equipada pelo polo de Sertãozinho aparece agora na estatística oficial da Conab, somando bilhões de litros à matriz. Usina moendo recorde significa caldeiraria, automação e manutenção contratadas na região inteira, de Sertãozinho a Jaboticabal, antes mesmo de o primeiro litro sair.
A ressalva de ofício: estimativa de agosto não é cana moída, e clima entre outubro e março ainda mexe no resultado. Mas 705 milhões de toneladas projetadas, com recorde de etanol no horizonte, é o tipo de número que faz o interior canavieiro planejar contratação em vez de corte. O caderninho acompanha levantamento a levantamento.

