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Franquias crescem 10,8% em um ano e o setor aponta o interior como fronteira

Limpeza, saúde e alimentação lideram a expansão medida pela ABF. Falta o dado que mais interessa a quem vive fora das capitais, o recorte municipal desse crescimento.

Comércio de rua em São Carlos (SP): redes de franquia avançam sobre as cidades médias
Comércio de rua em São Carlos (SP): redes de franquia avançam sobre as cidades médias · Foto: Lalita.mt/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

A cada dez reais que o franchising brasileiro faturava um ano atrás, hoje fatura quase onze. O setor cresceu 10,8% em 12 meses, segundo a Associação Brasileira de Franchising, e três segmentos puxam a fila: limpeza e conservação, com alta de 14,5%, saúde, beleza e bem-estar, com 13,1%, e alimentação no comércio e distribuição, com 12,7%. Os números circulam em reportagens do setor, como a do portal Sala da Notícia, sempre acompanhados do mesmo enquadramento: a fronteira de expansão agora é o interior.

O raciocínio comercial se sustenta. Ponto mais barato, aluguel menor, menos concorrência instalada e um consumidor que até pouco tempo atrás precisava viajar para encontrar o serviço que a franquia oferece. Para a rede, abrir no interior custa menos e disputa menos. Até aqui, a conta fecha.

O que esse número não diz: quanto desse crescimento já acontece fora das capitais. O 10,8% é nacional e agregado. Não existe recorte municipal publicado, nem separação entre o que cresce em São Paulo capital e o que cresce em Santa Fé do Sul. O setor aponta o interior como futuro, mas mede o país como um bloco só. Quem quiser saber se a promessa vira loja aberta na sua cidade não tem onde conferir.

Há uma segunda camada que o agregado esconde. Crescimento de faturamento de rede não é renda de franqueado: a mesma expansão que engorda o indicador setorial convive com unidades individuais no vermelho, e essa distribuição tampouco é publicada. A média nacional diz pouco sobre a esquina onde a loja vai abrir.

Nada disso desmente o movimento. Um setor crescendo 10,8% ao ano com três segmentos acima de 12% é expansão de verdade, e a lógica de custos favorece mesmo as cidades médias. O que segue faltando é o que falta quase sempre: o dado com denominador municipal. O interior, mais uma vez, está dentro da conta e fora do recorte.

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