O Motor · Barão (RS) · Indústria
A fábrica de R$ 65 milhões que vai nascer numa cidade de 6 mil habitantes na serra gaúcha
A Galvanotek, de Carlos Barbosa, constrói em Barão sua unidade de caixas de papelão ondulado, com capacidade de 250 caixas por minuto e testes previstos para o primeiro trimestre de 2027. A empresa que já trocou de negócio uma vez agora aposta numa segunda prateleira.
Barão tem cerca de 6 mil habitantes e está prestes a ganhar uma fábrica de R$ 65 milhões. Quem assina o cheque é a Galvanotek, empresa sediada na vizinha Carlos Barbosa, na serra gaúcha, que decidiu construir ali sua unidade de caixas de papelão ondulado. Os testes operacionais estão previstos para o primeiro trimestre de 2027, com capacidade projetada de 250 caixas por minuto, segundo reportagem da Exame.
A história da empresa explica a aposta. A Galvanotek nasceu em novembro de 1991 fazendo exatamente o que o nome diz: galvanoplastia, o banho metálico de peças. Em 1997, entrou no ramo de embalagens plásticas termoformadas. Em 2000, teve a coragem rara de abandonar a atividade que lhe deu nome. Hoje é referência nacional em embalagem rígida para alimentos, com mais de 800 funcionários nas duas unidades, uma sede de mais de 60 mil metros quadrados e exportação para mais de 18 países.
“O mercado exige velocidade, personalização e consistência”
Jeancarlo Piccinini, coordenador de vendas da Galvanotek, à Exame
Agora, o segundo movimento de prateleira: entrar no papelão ondulado, a caixa que carrega a caixa. Traduzindo da linguagem de fábrica: quem compra a embalagem plástica da Galvanotek também precisa da caixa de papelão para transportá-la, e a empresa decidiu parar de mandar esse dinheiro para o concorrente.
Repare no desenho do investimento, que é o retrato que este jornal persegue: não é multinacional procurando incentivo fiscal, é empresa de cidade de 30 mil habitantes expandindo para cidade de 6 mil. O capital circulando dentro da própria serra, a vaga industrial nascendo a 20 minutos de casa, o fornecedor e o cliente na mesma microrregião. É o modelo de industrialização que o interior gaúcho pratica há um século, geração após geração, sem pedir manchete.
Na ponta do lápis, o que fica anotado no caderninho: R$ 65 milhões, 250 caixas por minuto, testes no primeiro trimestre de 2027. Quando a primeira caixa sair da linha, a gente confere se a promessa virou produção. Em Barão, 6 mil pessoas vão conferir junto.

