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A Mepel comprou o terreno em 2008 e esperou 18 anos para construir a fábrica; a conta explica o interior
A fabricante gaúcha de implementos agrícolas, da família Boff, ergue em Estação, cidade de 5,5 mil habitantes, uma planta de mais de R$ 20 milhões. Com 60 anos de estrada, R$ 200 milhões de faturamento e 2 mil equipamentos vendidos em 2025, a empresa cresceu no ritmo que o campo ensina.

Tem um detalhe na história da nova fábrica da Mepel que vale mais que o valor do investimento: o terreno de 66 mil metros quadrados em Estação, no norte gaúcho, foi comprado em 2008. A empresa esperou dezoito anos, crescendo no próprio ritmo, até a conta fechar para construir. Agora ergue ali a primeira etapa de 8.250 metros quadrados, num investimento superior a R$ 20 milhões, segundo reportagem do ND Mais. Em cidade de 5,5 mil habitantes e PIB de uns R$ 400 milhões, é o tipo de obra que o município inteiro acompanha pelo nome do mestre de obras.
A Mepel é o retrato da indústria que o interior gaúcho fabrica em silêncio. Fundada em 1966, está nas mãos da família Boff desde 1988, hoje com três diretores do mesmo sobrenome: Gabriel no industrial, Hugo Mario no administrativo e Vitor Hugo no comercial. São cerca de 400 colaboradores diretos e um faturamento anual na casa dos R$ 200 milhões, feito de produto sem glamour e com fila de pedido: distribuidor de adubo, carreta agrícola, vagão desensilador, tanque de incêndio, equipamento de saneamento.
Os números de 2025 mostram o tamanho da rede que sai dessa esquina do mapa: mais de 2 mil equipamentos vendidos, cerca de 800 clientes espalhados por 450 municípios e mais de 500 revendas no Brasil. Lá fora, a marca roda em sete países, da Argentina à Costa Rica. Implemento agrícola é mercado em que o cliente confere solda por solda antes de assinar, e sessenta anos de porteira aberta são o melhor vendedor da casa.
Terreno comprado com calma, obra feita quando a conta fecha. Nenhum incentivo bilionário, nenhuma cerimônia com ministro.
Repare na lógica do investimento, que é a mesma da Galvanotek na serra e que este jornal vem anotando: empresa do interior expandindo no próprio interior, a vaga industrial nascendo onde o funcionário já mora, o imposto ficando no município pequeno.
No caderninho deste jornal, fica o registro: mais de R$ 20 milhões, 8.250 metros quadrados de primeira etapa, contratações prometidas sem número fechado. Quando a fábrica abrir as portas, a gente volta a Estação para conferir quantas carteiras foram assinadas. É assim que promessa vira notícia de novo.

