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Empreendedorismo · Brasil

Mulheres são 54,6% de quem quer abrir negócio no Brasil; a fila do balcão mudou de cara

Dado do Global Entrepreneurship Monitor divulgado pelo Sebrae mostra maioria feminina na intenção de empreender. O que falta é a régua pública para saber se a intenção vira CNPJ e se o CNPJ sobrevive.

Mãos na massa: o negócio próprio como renda principal da casa (imagem ilustrativa)
Mãos na massa: o negócio próprio como renda principal da casa (imagem ilustrativa) · Foto: Shixart1985/Wikimedia Commons (CC BY 2.0)

De cada dez brasileiros que declaram a intenção de abrir um negócio até 2026, mais de cinco são mulheres: 54,6%, segundo o Global Entrepreneurship Monitor, a maior pesquisa de empreendedorismo do mundo, em dado divulgado pelo Sebrae. É a primeira vez em anos que a fila de quem quer empreender tem maioria feminina declarada.

O número conversa com outro, do IBGE: mais de 41 milhões de domicílios brasileiros têm uma mulher como principal provedora. Em boa parte do país, e o interior não é exceção, o negócio próprio não é projeto de realização pessoal; é a infraestrutura de renda da casa. Quando a provedora empreende, o CNPJ dela carrega a família no cadastro.

O que esse 54,6% não diz: intenção não é alvará. A pesquisa mede quem declara querer abrir um negócio, e a distância entre declarar e registrar é longa, e entre registrar e sobreviver dois anos, mais longa ainda. O dado público que acompanharia essa jornada completa, por gênero e por município, não é publicado em série regular. Medimos a largada com precisão de duas casas decimais e cronometramos a corrida de olho fechado.

A régua que existe já diria muito. Se a maioria da intenção é feminina, as políticas de crédito, os horários de atendimento dos órgãos de registro e até o desenho das feiras de negócio deveriam estar sendo redesenhados agora, porque o perfil de quem chega ao balcão mudou. Quem só olhar a foto antiga do empreendedor brasileiro vai planejar para um público que deixou de ser maioria na porta de entrada.

O resumo honesto: a fila mudou de cara, e isso é fato medido. Se o balcão vai mudar junto, é a pergunta que os próximos dados respondem. Quando existirem.

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