Empreendedorismo · São Paulo
O interior leva três das cinco faixas do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios em São Paulo
São José do Rio Preto, Pirangi e Araraquara vencem suas categorias na etapa estadual, que teve recorde de 1.661 inscritas. Das 15 finalistas, dez têm CNPJ fora da capital e da Grande São Paulo. A final nacional é em 17 de novembro.

A conta é simples e o resultado diz muito: das cinco categorias da etapa paulista do Prêmio Sebrae Mulher de Negócios 2026, três foram vencidas por empresas com endereço no interior. Amanda Monteiro Bimbatti, da XiQ Consciente, de São José do Rio Preto, levou a faixa de MEI. Ana Carolina Columbeli, da Agropecuária AC Columbeli, de Pirangi, na região de Barretos, venceu entre as produtoras rurais. E Roberta Rodrigues, da Polirad, de Araraquara, ficou com a categoria Ciência e Tecnologia.
A edição teve recorde: 1.661 inscritas no estado, num prêmio que acumula mais de 100 mil participantes desde 2004. As outras duas faixas ficaram com a capital, com a Batom Produções, de Alessandra Paula Annes Bowes, entre os pequenos negócios, e com o Alto Tietê, com a Identifique Marcas e Patentes, de Jacqueline Feliciano, em negócios internacionais.
O recorte que interessa a este jornal está na lista completa. Das 15 finalistas estaduais, dez têm CNPJ fora da capital e da Grande São Paulo: além das três vencedoras, aparecem Sorocaba, com a Flor do Campo Cozinha Saudável, Votuporanga, com a Império Gold Moda Íntima, Franca duas vezes, com a J.A. Representações e a Marelo, São José dos Campos duas vezes, com a Raízes Caipira e a Ma.IA Solutions, e Araraquara de novo, com a Mãe-Estar.
Não há caricatura de “negócio de cidade pequena” nessa lista. Há o mesmo mapa de oportunidades da capital, operado com aluguel menor.
Vale reparar no cardápio de setores dessa lista do interior: café e agropecuária, cozinha saudável, moda íntima, biotecnologia que transforma resíduo em material, inteligência artificial.
As vencedoras estaduais disputam a final nacional em 17 de novembro, no Espírito Santo, onde os prêmios chegam a R$ 50 mil, além de capacitações e mentorias. A régua honesta de sempre: prêmio não é faturamento, e faixa não paga boleto. Mas num país em que o negócio liderado por mulher ainda briga por crédito e por vitrine, três troféus estaduais com CEP de São José do Rio Preto, Pirangi e Araraquara são um dado, não um adorno. Este jornal torce com o caderninho aberto.

