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Empreendedorismo · Brasil · Serviços

Brasil registra 1,59 milhão de novos MEIs em quatro meses; entrega e transporte lideram a fila

Dados do Sebrae com base na Receita Federal mostram alta de quase 15% sobre 2025. O que o recorde não diz: para uns, o CNPJ é começo de negócio; para outros, é a única vaga que restou.

Feirante em Laranjeiras (RJ): serviços e comércio puxam o recorde de novos registros
Feirante em Laranjeiras (RJ): serviços e comércio puxam o recorde de novos registros · Foto: Rodrigo Souto Maior/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

O Brasil abriu 1,59 milhão de registros de microempreendedor individual entre janeiro e abril de 2026, segundo levantamento do Sebrae com dados da Receita Federal. É quase 15% mais que no mesmo período do ano passado. De cada dez empresas abertas no país neste ano, quase oito nasceram como MEI: 78% do total.

O retrato por setor diz muito. Serviços passaram de 1 milhão de registros no período, à frente de comércio, com 298,7 mil, indústria, com 139,5 mil, e construção, com 115,6 mil. E as atividades campeãs dentro do balcão de serviços são serviços de malote e entrega, com 133,5 mil novos CNPJs, e transporte rodoviário de carga, com 121,6 mil. Publicidade e beleza vêm atrás, com 98 mil e 91,6 mil.

O que esse recorde não diz: abertura não é sobrevivência. O painel mede quem entrou, e não publica, no mesmo recorte, quem fechou ou quem parou de faturar sem baixar o registro. Um recorde de aberturas convive sem contradição com negócios durando menos.

A segunda leitura mora no topo da lista. Quando as duas atividades que mais geram MEI no país são entrega e transporte de carga, parte expressiva desses CNPJs é o motoboy e o motorista de aplicativo formalizando a própria ocupação, muitas vezes porque a plataforma ou o contratante exige nota fiscal. É empreendedorismo na estatística; na vida, é relação de trabalho por outro nome. O dado público disponível não separa um grupo do outro, e essa fronteira faz falta.

Nada disso apaga o movimento real: 95% dos mais de 2 milhões de CNPJs abertos no ano são pequenos negócios, e é nesse tamanho de empresa que o interior se reconhece. O painel que falta é o de sempre: sobrevivência por atividade e por município. Enquanto ele não existe, o recorde segue verdadeiro e incompleto ao mesmo tempo.

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