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Sertãozinho aprendeu com a cana e agora vende máquina para a onda do etanol de milho
O polo que equipou as usinas de açúcar do país inteiro se reinventa para atender as biorrefinarias de milho: já são 32 usinas em operação e mais 22 em projeto ou construção, e um quinto do etanol brasileiro já sai do grão. As metalúrgicas da região de Ribeirão estão na lista de fornecedores.

Sertãozinho construiu a fama e o parque industrial equipando usina de cana: caldeira, vapor, automação, tubo e solda para o setor sucroenergético do país inteiro. Agora o polo da região de Ribeirão Preto está fazendo o movimento que separa distrito industrial vivo de museu de galpão: aprendeu a vender para a onda nova. O etanol de milho já soma 32 usinas em operação no Brasil, entre plantas dedicadas e flex, com outras 22 em projeto ou construção, e responde por cerca de um quinto do etanol brasileiro, segundo reportagem da RPAnews.
A linha do tempo explica a virada. As primeiras usinas flex e full milho entraram em operação entre 2015 e 2017. Entre 2019 e 2022, os fornecedores de Sertãozinho adaptaram suas soluções para o processamento de grão. Em 2022 e 2023 veio o que o setor chama de explosão das biorrefinarias, concentrada em Mato Grosso e Goiás. “A expansão do mercado é apenas a face mais visível desse movimento”, resume Paulo Saraiva, diretor do CEISE Br, a entidade do setor de bens de capital da região, e CEO da PS7 Consultoria.
Os nomes da adaptação são os de sempre do polo, fazendo coisa nova: a HPB recalibrou a geração de vapor para o processo do milho, a Fertron viu a automação sair de demanda periférica para estrutural, a Tubesteel acompanha o movimento de dentro do CEISE Br. “Mais do que uma nova rota produtiva, o etanol de milho fortalece a matriz bioenergética brasileira”, diz Daniela Ribeiro, diretora da entidade e sócia da empresa.
A biorrefinaria nova está em Mato Grosso e Goiás, mas a caldeira, o painel e a engenharia saem do interior paulista.
Repare na geografia do negócio, que é o retrato que interessa a este jornal: o Centro-Oeste plantando, Sertãozinho equipando, e o frete de conhecimento correndo na direção contrária à de sempre, do interior para o interior.
A lição no caderninho serve para qualquer cidade industrial: polo que só sabe atender o cliente de ontem envelhece junto com ele. Sertãozinho passou meio século amarrado ao ciclo da cana, com as dores que a região conhece bem. Desta vez, quando a onda mudou de grão, a ferramenta já estava afiada. É assim que distrito industrial atravessa década.

