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O Motor · Analândia (SP) · Crédito

Analândia, 5,1 mil habitantes, ganhou agência de cooperativa de crédito depois de cinco anos de mobilização local

O ponto de atendimento do Sicoob Crediguaçu nasceu de reuniões entre comerciantes e sociedade civil iniciadas em 2021. Enquanto banco grande fecha agência em cidade pequena, o cooperativismo faz o caminho inverso.

Morro do Cuscuzeiro, cartão-postal de Analândia (SP): cidade de 5,1 mil habitantes ganhou balcão de crédito cooperativo
Morro do Cuscuzeiro, cartão-postal de Analândia (SP): cidade de 5,1 mil habitantes ganhou balcão de crédito cooperativo · Foto: Urbanetz/Wikimedia Commons (CC BY-SA 2.0)

Analândia, 5,1 mil habitantes na serra entre Rio Claro e São Carlos, inaugurou em junho um ponto de atendimento do Sicoob Crediguaçu. A notícia parece pequena até a letra miúda ser lida: o processo começou em 2021, com reuniões entre empresários locais e representantes da sociedade civil, passou por estudo de viabilidade e aprovação de órgãos reguladores, conforme registra o próprio Sicoob. Cinco anos de insistência da cidade para ter de volta um balcão financeiro.

O movimento não é caso isolado, é tendência nacional na contramão dos bancos grandes: o Sicredi, outro sistema cooperativo, projeta abrir 43 agências só em Minas Gerais até o fim de 2026, levando atendimento a 21 municípios onde ainda não estava, muitos do porte de Analândia, como registrou o jornal O Tempo. Nos últimos três anos, foram mais de 110 agências novas do sistema no estado vizinho.

A conta que explica o fenômeno é simples e cruel: para o banco de capital aberto, agência em cidade de 5 mil habitantes é custo que a assembleia de acionistas manda cortar. Para a cooperativa, cujo dono é o próprio correntista, é mercado que ninguém mais quer e sobra do resultado que volta para a comunidade. Onde o gerente de banco virou caixa eletrônico quebrado, o cooperativismo está abrindo porta com gente dentro.

A letra miúda final, de ofício: cooperativa também cobra juro, também exige garantia e também precisa ser comparada antes da assinatura. Mas, para o comerciante de Analândia que precisava dirigir até Rio Claro para sentar na frente de um gerente, a distância do crédito acaba de cair de 30 quilômetros para 300 metros. No interior, essa diferença tem nome: capital de giro que chega a tempo.

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