Panorama · São Paulo
São Paulo abriu 286,7 mil vagas formais em um ano; o top 5 das cidades mostra onde o interior ainda não entra
Dados da Fundação Seade com base no Caged colocam o estado com 24% do emprego formal criado no país. No ranking por cidade, o interior só aparece a partir de Sorocaba.

O estado de São Paulo criou 286.743 empregos com carteira assinada entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, segundo a Fundação Seade, que processa os dados do Caged, do Ministério do Trabalho. É quase um em cada quatro empregos formais abertos no Brasil no período: 24% do total nacional.
O ranking por cidade conta uma segunda história. A capital responde por 97.391 vagas, um terço do saldo do estado. Depois vêm Osasco, com 24.587, Guarulhos, com 13.129, Barueri, com 10.850, e Santos, com 6.662. No top 5, nenhuma cidade do interior: é capital, região metropolitana e litoral. O interior entra no mapa a partir de Sorocaba, com 4.739 vagas, seguida de perto por Santo André e São Bernardo, que são ABC, não interior.
O que esse ranking não diz: ele é absoluto, e ranking absoluto é um espelho do tamanho das cidades, não da força de cada economia. Uma cidade de 100 mil habitantes que cria 2 mil vagas fez proporcionalmente mais que a capital com seus 97 mil. Esse recorte por habitante existe na base do Caged e quase nunca é publicado. Quando o dado per capita não circula, o interior parece coadjuvante até nos anos em que cresce mais rápido.
Há um número do mesmo painel que interessa a qualquer cidade: o salário médio de admissão em São Paulo chegou a R$ 2.702,76 em janeiro, o maior desde 2020. Salário de admissão é o valor com que o contratado entra, e a alta sugere disputa por gente, não só reposição de quadro.
O resumo honesto do painel: o emprego formal paulista cresce, um quarto do país passa por aqui, e a régua pública que temos segue desenhada para enxergar cidade grande. O dia em que o saldo do Caged sair por mil habitantes, município a município, o mapa do emprego vai mudar de cara sem mudar um único contrato.

